Fim da escala 6x1 preocupa comércio e serviços de Sapiranga
O
fim da escala de trabalho 6x1 preocupa empresários do comércio e dos serviços
de Sapiranga. Aprovada pelo Senado em 14/10 e promulgada em 16/10, a mudança
estabelece uma redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem
diminuição dos salários. A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Sapiranga
chama a atenção para os impactos da medida, especialmente nos pequenos
estabelecimentos, que dependem de equipes reduzidas para manter o atendimento
ao público, inclusive aos sábados.
Um
dos principais desafios está na reorganização das escalas. No pequeno varejo,
onde muitas vezes o próprio proprietário participa diretamente das atividades,
a nova jornada poderá exigir contratações adicionais ou alterações nos horários
de funcionamento. Essa possibilidade esbarra na realidade financeira de muitos
empresários, que não dispõem de recursos para ampliar o quadro de funcionários
e ainda enfrentam a dificuldade de encontrar mão de obra qualificada. O cenário
também afeta prestadores de serviços e setores que dependem de produção
contínua.
O
presidente da CDL Sapiranga, Ademir Gerson Deitos, avalia que os reflexos serão
sentidos principalmente pelos negócios de menor porte.
Uma
das nossas preocupações é com o atendimento aos sábados, que representa um dia
importante para o comércio. Com a escala 5x2, será necessário reorganizar as
folgas durante a semana, e isso pode prejudicar o pequeno varejo, que trabalha
com equipes menores. Os prestadores de serviços também terão dificuldades,
assim como as empresas que dependem da produção diária, já que a redução da
carga horária poderá afetar a produtividade, afirma.
Para
a CDL Sapiranga, é fundamental conciliar a qualidade de vida dos trabalhadores
com a capacidade dos empreendimentos de manter suas atividades, preservar
postos de trabalho e atender às necessidades dos consumidores. A entidade
ressalta que as particularidades de cada segmento precisam ser consideradas
durante a adaptação às novas regras.
Federação Varejista do RS defende cautela
A
avaliação da CDL Sapiranga está alinhada às manifestações de entidades
representativas do setor empresarial gaúcho. Em 9/10, antes da votação no
Senado, a Federação Varejista do Rio Grande do Sul encaminhou um ofício aos
parlamentares solicitando que a discussão sobre a Proposta de Emenda à
Constituição (PEC) 221/2019 fosse retomada após o período eleitoral.
No
documento, a Federação destacou a importância de estudos aprofundados sobre os
impactos econômicos e sociais da medida, respeitando as diferenças entre os
setores produtivos. Também defendeu um prazo adequado de transição, que
permitisse aos estabelecimentos reorganizar suas equipes, planejar eventuais
contratações e absorver os custos decorrentes da redução da jornada.
A
manifestação reforçou a necessidade de considerar as características do
comércio e dos serviços, segmentos que frequentemente mantêm suas atividades em
horários estendidos, finais de semana e feriados. Para a entidade estadual,
alterações nas relações de trabalho exigem planejamento e diálogo para evitar
prejuízos à produtividade, à manutenção dos empregos e aos preços praticados ao
consumidor.
Redação:
Marcelo Matusiak
